
Do Noblat:
Um "pacto de convivência" entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marina Silva e seu grupo político no Acre foi acertado, ontem, em encontro no gabinete do presidente Lula.
O acerto precede o anúncio da saída da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do PT, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Participaram Lula, seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e três petistas que, ao lado de Marina, comandam a política do Acre há 15 anos: o ex-governador Jorge Viana, o atual, Binho Marques, e o senador Tião Viana.
A reunião teve como objetivo distensionar a relação entre o Palácio do Planalto e o PT do Acre com a provável filiação de Marina ao PV na próxima semana.
Segundo relatos, o presidente Lula ouviu dos interlocutores a garantia de que, numa eventual candidatura presidencial da senadora, não haveria um discurso crítico ao seu governo e nem à política ambiental.
Os três petistas garantiram a Lula que, nesse cenário, Marina fará uma campanha propositiva contra o governo e sua provável adversária no PT, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sem ataques pessoais.
Em 2008, Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente depois de duros embates com Dilma por causa de entraves ambientais para a construção de obras de infra-estrutura.
Na conversa, Lula reconheceu todas as dificuldades para avançar na área ambiental. Mas ponderou que ser governo significa assumir responsabilidades mais amplas e que, nesta condição, não é possível atuar de forma restrita, pensando apenas num setor específico.
Lula também disse aos petistas do Acre que não haverá retaliação à senadora por causa de sua saída do partido. Ele ainda afirmou que ninguém do governo deve trabalhar para desconstruir a imagem de Marina Silva, ou mesmo a sua gestão como ministra do governo durante quase seis anos.
- Este é um momento de dificuldade para o nosso grupo político no Acre. Estamos muito tensionados. Mas o presidente Lula estava tranquilo e nos passou essa calma. Agora, é uma maldade essa versão de que haveria a desconstrução da imagem de Marina por parte do governo ou qualquer retaliação, caso ela deixe o PT. Isso não existe - afirmou o ex-governador Jorge Viana, evitando dar detalhes do encontro.
Na conversa, Lula voltou a repetir o que já dissera na noite de quarta-feira, num jantar com integrantes da cúpula do PSB: não fará gesto algum para impedir a candidatura de Marina.
Ele lembrou que ele não poderia fazer isso, até porque já disputou cinco eleições presidenciais. Embora tenha lamentado a decisão da senadora, Lula repetiu que também não conversaria com ela.
Comentário
Marina Silva pertence ao PT. O PT de Delúbio, do Mensalão, dos dólares na cueca, do Celso Daniel, do Toninho do PT, do caseiro Francenildo, das doações não contabilizadas, dos aloprados, dos dossiês, de José Dirceu, de Genoíno, de Lulla, de Ideli, de Mercadante e de Dilma. Marina Silva estava no partido em todos estes momentos, e continua agora, quando o PT apóia e defende José Sarney, fazendo companhia a Renan e Collor, os novos super-amigos do presidente Lulla. E, em nenhum destes momentos, resolveu se indignar. Em que, me digam, ela pode ser considerada uma terceira via? Marina é farinha do mesmo saco. Pode ser farinha orgânica, integral, mas continua farinha.